Wave a mutilation

dezembro 10, 2009

Não é por nada não, mas ninguém viu arrancarem o braço dessa estátua na Praça da Piedade ?  Em frente ao prédio da Secretaria de Segurança Pública ? 

Segundo um funcionário que faz manutenção do jardim, o sumiço aconteceu há dois meses e deve ter sido feito muito barulho para quebrar o braço da escultura, que é feita em ferro fundido. A suspeita recai sobre os “recicladores” que atuam na região. E essa não seria a primeira vez que a cidade vê seu patrimônio artístico  ir parar no ferro-velho - em 2007, roubaram os braços da estátua de Pelé, na Fonte Nova.

Paredes do Comércio

dezembro 8, 2009

                                                                                                                                                                            Clique sobre a foto acima e veja uma animação com fotos de imóveis situados no “polígono de proteção do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico da Cidade Baixa”, denominação que o IPHAN criou para a área no Comércio onde as paredes continuam em pé.

Enquanto seu bonde não vem

dezembro 7, 2009

            Embora esse vídeo já role na net há mais de um ano, postei-o aqui em homenagem ao aniversário de 10 anos das obras do nosso metrô, uma forma de não deixar apagar a chama das recentes denúncias de falcatruas em seu processo licitatório e, principalmente, para continuarmos contabilizando a grana que já foi gasta no trecho inicial de 6 km – por enquanto a conta está em 459 milhões de reais.

Hoje, dia de branco, a cidade vestiu vermelho

dezembro 4, 2009

 

                                                                                                                                                                 Na cidade de deuses cromáticos, o povo carrega colares de contas sagradas. Cores para cada santo, santo para cada dia. Erguem-se igrejas com paredes de ouro e nobres templos com chão de folhas. Cruzes e bandeiras repartem o mesmo céu. Da água se faz vinho e do sangue se faz suor. Eis os mistérios da Sé: ” Eparrei !”, ouvi hoje dos sinos por onde passei.

Olhe por onde anda

novembro 5, 2009

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        Chama-se via táctil. É uma adaptação feita na calçada, que serve como guia para os deficientes visuais. Essa da foto fica localizado nos Barris, perfaz um trajeto de menos de um quilômetro, interligando a Associação Baiana de Cegos à Estação da Lapa e à outras ruas da região. Esse é um importante equipamento para mobilidade dos cegos. Teoricamente. Na prática, além da falta de manutenção da pista, seus usuários convivem com alguns obstáculos para serem transpostos durante as caminhadas; carros e motos estacionado sobre a calçada, escadas de pintores e eletricistas, tabuleiros de ambulantes e sacos de lixo são os mais comuns. Mas, já foi pior, até bem pouco tempo atrás  um poste interrompia a via na rua do Salete.

Antes tarde …

novembro 4, 2009

 

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        O bairro do Comércio foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no dia 16 de outubro. Uma semana depois, no dia 24, desmoronava mais um casarão na área abrangida pelo novo “polígono de proteção do Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico da Cidade Baixa”, nomenclatura que o IPHAN criou para designar a área tombada

        Embora o Elevador Lacerda já tenha sido tombado desde 2008, o seu entorno, na parte baixa, não tinha recebido a mesmo privilégio e, de um ano para cá, pelo menos outros dois imóveis da região sucumbiram às águas das chuvas ou à incêndios. A área que agora é reconhecida pelo IPHAN como de importância arquitetônica e histórica, passa por um processo de degradação desde o final da década de 70, quando deixou de ser o centro financeiro da cidade.

Mármore, spray e sorrisos

novembro 3, 2009

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       É um graffiti feito em um muro de mármore, na fachada de um prédio da Barra. Pequeno, passa desapercebido aos olhos dos transeuntes apressados. Mas, não é só a reduzida dimensão a causa da indiferença dos que por ele passam: sua linguagem simbólica torna imprescindível uma “gramática” própria para entendê-lo. Como prêmio, para os que o conseguem decifrar, resta sempre um sorriso sutil no canto do rosto.

Povo, câmeras, balbúrdia e ação

setembro 30, 2009

       Praça da Piedade, às 13:05 hs. Longos e grossos fios passam sob os pés de pessoas ao redor de uma câmera que está apoiada num tripé. ” Silêncio ! ” – grita uma mulher com fones no ouvido,  papéis em uma das mãos e microfone na outra. A ordem é atendida e os olhos do grupo, hipnoticamente, voltam-se para a câmera. Os fios pisados somem dentro de um caminhão parado próximo a calçada. Fechado, sem janelas, o veículo guarda pequenos monitores de tv e muitos botões em seu interior. “Unidade Externa, Record”, pode ser lido quando a porta é fechada.

       Esse é o set de transmissão de um programa popular de tv, montado no centro de Salvador. E não é o único. Um pouco mais distante, mas na mesma praça, outro grupo se dispersa ao notar que a câmera foi desligada. Mais um programa, de outra emissora ( TV Bahia ), acaba de ser transmitido ao vivo.  

       Essa estratégia de aproximação da audiência vem ganhando adeptos nas emissoras locais – todas tem quadros ao vivo em sua programação. E, ao colocar seus estúdios ambulantes nas ruas, as emissoras têm a possibilidade de aferir mais de perto os desejos de seu público e, ao mesmo tempo, conquistar-lhes intimidade ao despir seu hermético mundo tecnológico, repleto de botões, fios, fones e monitores.

setembro 28, 2009

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A feia Salvador

setembro 28, 2009

          Pouco mais de um ano após ser sancionado o novo PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) de Salvador, já se pode notar mudanças na “cara” da cidade. Com a liberação do gabarito (altura máxima das construções) da orla marítima e da permissão para ocupação imobiliária de áreas consideradas de relevância ambiental, principais mudanças incorporadas no atual PDDU, Salvador vem se tornando um imenso canteiro de obras.  

          A desproporção notada na imagem acima - um prédio em construção na Federação, visto da Av Garibaldi -, não se resume apenas às diferenças de dimensões arquitetônicas. Pode-se ver, também, embutido ali uma desigualdade da “paisagem” social. Panorama que pode ganhar proporções mais abissais em outras áreas da cidade. Na Av. Paralela, por exemplo, está nascendo um condomínio de luxo que terá como vizinhança, há uma distância de 1 km, o Bairro da Paz, antiga invasão das Malvinas, que cresce desordenadamente há 27 anos com sérios problemas de infra-estrutura e segurança. São novas fronteiras urbanísticas se fazendo criar dentro de Salvador. Fenômeno que não é recente, mas que deve ser ampliado em função da implantação do novo PDDU.
         “Urge, agora, quando festejamos seus 450 anos [de Salvador], encontrar as forças para pensar, de modo unitário, um novo planejamento, talvez menos urbanístico e mais urbano; e certamente mais social e mais humano”, assim o geógrafo Milton Santos terminava um artigo escrito em A Tarde, há 10 anos, em comemoração ao aniversário de Salvador.


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