Praça da Piedade, às 13:05 hs. Longos e grossos fios passam sob os pés de pessoas ao redor de uma câmera que está apoiada num tripé. ” Silêncio ! ” – grita uma mulher com fones no ouvido, papéis em uma das mãos e microfone na outra. A ordem é atendida e os olhos do grupo, hipnoticamente, voltam-se para a câmera. Os fios pisados somem dentro de um caminhão parado próximo a calçada. Fechado, sem janelas, o veículo guarda pequenos monitores de tv e muitos botões em seu interior. “Unidade Externa, Record”, pode ser lido quando a porta é fechada.
Esse é o set de transmissão de um programa popular de tv, montado no centro de Salvador. E não é o único. Um pouco mais distante, mas na mesma praça, outro grupo se dispersa ao notar que a câmera foi desligada. Mais um programa, de outra emissora ( TV Bahia ), acaba de ser transmitido ao vivo.
Essa estratégia de aproximação da audiência vem ganhando adeptos nas emissoras locais – todas tem quadros ao vivo em sua programação. E, ao colocar seus estúdios ambulantes nas ruas, as emissoras têm a possibilidade de aferir mais de perto os desejos de seu público e, ao mesmo tempo, conquistar-lhes intimidade ao despir seu hermético mundo tecnológico, repleto de botões, fios, fones e monitores.